Control é um filme de Anton Corbijn, simples e de uma beleza visual unica. Este filme conta a historia de Ian Curtis, um génio que morreu antes de ser verdadeiramente descoberto, vocalista dos Joy Division, banda que apesar de carreira curta influenciou muitas outras. O actor que veste a pele de Ian é o actor Sam Riley um desconhecido no mundo da sétima arte, as semelhanças fisicas são muitas e a representação perfeita. Um filme do qual nunca irei ver um remake nem uma sequela.
Desde o final da década de 60 que estava deitadinha, à espera que alguma luminária do cinema lhe pegasse, uma história real onde a linha da própria realidade e da ficção é um pormenor da maior importância: o conjunto de fenómenos que se sucederam entre 1966 e 1967, em Point Pleasant, na Virgínia Ocidental. A responsabilidade foi atribuída a uma entidade vaga, com forma definida, mas intenções e ligações a tudo estranhas, chamada Mothman, pegando numa personagem da série televisiva "Batman", que passava na altura na televisão. O caso foi descrito pelo jornalista John Keel, na excelente e bizarra obra "The mothman prophecies". Envolve a criatura Mothman, OVNI, homens de negro, poltergeist, fenómenos psíquicos e profecias; e é tudo de uma lógica que não parece fácil de rebater. Quase 40 anos depois, alguém se lembrou da história e surgiu o filme. Um aviso: a fita, em termos de conteúdo, não faz justiça ao imenso planalto de biasma que é o livro. Mas isso seria impossível de conseguir numa longa-metragem. Uma série de televisão era o mais adequado. No entanto, um produtor menos temerário lançou-se a uma empreitada quase impossível e o resultado é uma experiência estranha, um filme daqueles em que a imagem é como fumo que se entranha. Foi necessário, claro, atalhar pela história do livro e no filme, o enquadramento é diferente: John Klein (Richard Gere) é um respeitado comentador político do Washington Post, que no auge da sua felicidade com a mulher, a vê morrer, não sem antes esta desenhar interminavelmente em folhas a mesma sombria criatura. Desolado pelo acontecimento, Klein é um homem à deriva e numa noite em que viaja de carro, dá por si a fazer 1600 quilómetros em três horas, parando em Point Pleasant, Virginia, onde vai bater à porta de um homem que lhe diz que ele esteve ali nas duas noites anteriores, à mesma hora. Isto é apenas o princípio de uma história que o junta a Connie Mills (Laura Linney), a xerife local. Menos um filme de terror do que um exercício de como entrar na nossa mente e remexê-la um pouco retorcidamente, "The mothman prophecies" tem o visual de um filme experimental, com alguns efeitos de baixo orçamento e aquela noção de que uma banda sonora penetrante e saber jogar com a luz e a sombra são truques básicos para nos convencer de que estamos a ver mais do que realmente vemos. Mark Pellington realizara já videoclips e é o autor do estilizado genérico de "Homicide: Life on the street". Para além disso, com o seu "Arlington road", obra inicial da sua carreira, soubera que a paranóia é uma excelente matéria cinematográfica. Com este filme, Pellington não cai na tentação de faezr uma adaptação literal, mas sim de nos provocar os mesmmos arrepios, sentimentos e desconfianças que Keel descreve no livro; e consegue-o. Uma sequência em particular, em que Klein fala ao telefone com uma omnisciente entidade que dá pelo nome de Indrid Cold é particularmente enervante e assustadora. Destaque para a dupla de actores, a banda sonora de Tomandandy (muito boa mesmo) e fica o repto para que leiam mais sobre este estranho caso. Não é um remake do livro e dificilmente dará uma sequela.
"Before sunrise" tem uma premissa é tão simples que se torna ridícula de ouvir: dois jovens, o americano Jesse e a francesa Celine conhecem-se no comboio onde ambos viajam pela Europa. Num impulso, ele convida-a a passera-se com ele, em Viena, para lhe fazer companhia no tempo em que tem de esperar pelo vôo na manhã seguinte. Ela seguia para Paris e deixa-se convencer. O filme retrata o que ambos fazem no tempo que medeia esse convite e a despedida na manhã seguinte. E o que fazem os dois? Essencialmentte conversar; pelo meio, aproveitam para se apaixonar. No final, nem querem pensar nas suas vidas sem a presença do outro. Todo este processo é detalhado num espantoso argumento de Linklater e Kim Krazin, baseado numa experiência semelhante do realizador, mas na cidade de Filadélfia. Os personagens auto-descrevem-se em observações sobre a vida, sobre a existência, sobre pequenos pormenores, para mais tarde as palavras serem desmentidas pelas acções, provando que ambos são contraditórios e hipócritas: numa outra palavras, são humanos. É isso que os torna credíveis, e por arrasto o filme. Longe de mostrar grandes cenas românticas, com tiradas grandiloquentes e gestos maiores que a vida, "Before sunrise" é o processo de atracção no que tem de mais simples: as conversas que mostram o click, os pequenos momentos em que observamos a pessoa que nos atrai, a vontades que temos de tocar no outro com gestos subtis, a mecânica algo atabalhoada do primeiro beijo... Linklater, com a sua abordagem directa, aproveitando o belíssimo cenário que é a capital austríaca, permite ao filme respirar ao rimo das pessoas, mas boa parte do encanto de "Before sunrise" dá-se com a mecânica e química entre Ethan Hawke e Julie Delpy, os actores do filmes. Ambos têm energias diferentes: Hawke é expansivo, é cínico, é sarcástico; Delpy é algo ingénua, sonhadora, é infantilmente imprevisível. Combinam-se. Ambos encarnam na perfeição os temas principais de Jesse e Celine: se ambos simbolizam uma atitude e um querer de viver a vida apaixonadamente, ele é essa vontade na prática; ela na teoria. Celine procura cultivar relações, construir a sua vida a partir disso; Jesse aproveta o que a vida lhe traz e considera-a, nas sua spróprias palavras, "uma grande festa onde entrou sem ser convidado. No entanto, ambas as atitudes fazem com que se sintam atraídos um pelo outro. O final é uma pérola fabulosa, a conclusão óbvia e natural de tudo. O que ainda dá mais valor a toda a história. Eis um filme do qual as palavras são inimigas. Gostava de poder retirar sentimentos e postá-los, mas não posso. Por isso, leiam isto e dpeois vejam o "Before sunrise", para descobirem o quão redutor e racional fui com algo que é tudo menos isso.
Um filme que teve sequela e com dezenas de remakes diários por esse mundo fora.
"The breakfast club", de John Hughes, é uma das grandes pérolas semi-ignoradas dos anos 80, mas se tentarmos resumir-lo em duas ou três linhas, presta-se a ser um filme que pode descambar: afinal, a premissa fala-nos de 5 jovens que, propositadamente, representam os clichés que temos da juventude: Brian, o cérebro; Bender, o rebelde; Andy, o desportista; Claire, a menina bem; e Allison, a passada dos carretos. Num sábado, são forçados pelo director a ir à escola e passar oito horas fechados numa sala, de castigo, para escreverem um ensaio sobre o tema "Quem sou eu?". Claro que as características próprias entre as personagens os vão colocar em conflito uns com os outros, forçando-os a descobrir no processo aquilo que são por detrás do que querem existir para os outros. Fazer um filme sobre jovens fortemente baseado em diálogo e com muita pouca história é arriscado, mas o talento de Hughes, que traça os seus personagens com a dose certa de leveza e profundidade, fazendo-nos interessear por elas sem nos sentirmos afogados no seus problemas, sustenta o desafio. Para mais, o filme tem um inspirado casting, com Emilio Estevez, Judd Nelson, Ally Sheedy, Anthony MIchael Hall e Molly Ringwald, que viria a ser a teen queen dos anos 80. A razão pela qual o filme vai resistir ao teste do tempo é porque, ao contrário da política e de temas sociais, as emoções humanas nunca vão passar de moda: daqui a 100 anos, ser adolescente vai continuar a ser tão desesperante e horrível como é hoje; e no entanto, nenhum de nós trocava essa fase por nada e gostávamos de a viver outra vez. "The breakfast club" é um filme que faz os adolescentes compreenderem-se a si próprios e quando fala das relações entre pais e filhos, talvez ajudasse os adultos a verem os filhos adolescentes de outra maneira. Claro que tem happy ending, o filme. São os anos 80. A aadolescência nem sempre acaba assim. Mas o cinema é sonho, e todos nós gostávamos que a vida fosse como queremos, certo? Vejam "The breakfast club": uma obra sobre a qual se chegou a falar em sequela, mesmo com todos os remakes atrasados que dela se fizeram.
P.S Ah, e não esquecer Paul Gleason, no papel de director da escola. Morreu este ano. Uma vénia a esse senhor.
Jonathan. Jovem americano, judeu, origem ucraniana e com a obsessão de coleccionar tudo, decide partir para uma viagem ao Leste Europeu (Ucrânia) em busca de algo do passado do seu avô de forma a completar parte da sua colecção. Aí conhece Alex (Eugene Hutz, vocalista da excelente banda Gogol Bordello), que juntamente com o seu avô (que diz ser cego, mas não é) o ajudam nesta tão 'very rigid search'.
Qualquer simples objecto serve para Jonathan guardar em pequenas bolsas plásticas, cada situação que vive nessa viagem são úteis para descobrir algo do passado. Este filme é uma constante descoberta. Tem partes tristes, melancólicas mesmo, tem partes bem divertidas, detalhes da vida ucraniana bem interessantes, tem..tudo para realmente ser um filme bastante apreciado. O seu realizador, Liev Schreiber (péssimo actor que devem conhecer de vista), revelou-se bastante capaz de seguir com boas obras. Uma nota muito positiva para a banda sonora, com bastante música do leste europeu e como os já referidos Gogol Bordello (conhecidos por 'gispsy punks') que têm um som fantástico e que aprecio bastante.
Obviamente não necessita de sequela nem de remake.